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22 de set. de 2013

Separação da Alma e do Corpo

154 - É dolorosa a separação da alma e do corpo?
"Não; o corpo quase sempre sofre mais durante a vida do que no memento da morte; a alma nenhuma parte toma nisso. Os sofrimentos que algumas vezes se experimentam no instante da morte são um gozo para o Espírito, que vê chegar o termo de seu exílio"

Na morte natural, a que sobrevém pelo esgotamento dor órgãos, em consequência da idade, o homem deixa a vida sem o perceber: é uma lâmpada que se apaga por falta de óleo.

155 - Como se opera a separação da alma e do corpo?
"Rotos os laços que a retinham, ela se desprende."
a) A separação se dá instantaneamente por brusca transição? Haverá alguma linha de demarcação nitidamente traçada entre a vida e a morte?
"Não; a alma se desprende gradualmente, não se escapa como um pássaro cativo a que se restitua subitamente a liberdade. Aqueles dois estados se tocam e confundem, de sorte que o Espírito se solta pouco a pouco dos laços que o prendiam. Estes laços se desatam, não se quebram."

Durante a vida, o Espírito se acha preso pelo ao corpo pelo seu envoltório semimaterial ou perispírito. A morte é a destruição do corpo somente, não a desse outro invólucro, que do corpo se separa quando cessa neste a vida orgânica. A observação demonstra que, no instante da morte, o desprendimento do perispírito não se completa subitamente; que, ao contrário, se opera gradualmente e com uma lentidão muito variável conforme os indivíduos. Em uns é bastante rápido, podendo-se dizer que o momento da morte é mais ou menos o da libertação. Em outros, naqueles sobretudo cuja vida foi toda material e sensual, o desprendimento é muito menos rápido, durando algumas vezes dias, semanas e até meses. (...) É, com efeito, racional conceber-se que, quanto mais o Espírito se haja identificado com a matéria, tanto mais penoso lhe seja separar-se dela; ao passo que a atividade intelectual e moral, a elevação dos pensamentos operam um começo de desprendimento, mesmo durante a vida do corpo, de tal modo que, em chegando a morte, ele [o desprendimento] é quase instantâneo. (...) Essas observações ainda provam que a afinidade, persistente entre a alma e o corpo, em certos indivíduos, é, as vezes, muito penosa, porquanto o Espírito pode experimentar o horror da decomposição. Este caso, porém, é excepcional e peculiar a certos gêneros de vida e a certos gêneros de morte. Verifica-se com alguns suicidas.

156 - A separação definitiva da alma e do corpo pode ocorrer antes da cessação completa da vida orgânica?
"Na agonia, a alma, algumas vezes, já tem deixado o corpo; nada mais há que a vida orgânica. O homem já não tem consciência de si mesmo; entretanto ainda lhe resta o sopro de vida orgânica. O corpo é a máquina que o coração põe em movimento. Existe, enquanto o coração faz circular nas veias o sangue, para o que não necessita da alma."

157 - No momento da morte, a alma sente, alguma vez, qualquer aspiração ou êxtase que lhe faça entrever o mundo onde vai de novo entrar?
"Muitas vezes a alma sente que se desfazem os laços que a prendem ao corpo. Emprega então todos os esforços para desfazê-los inteiramente. Já em parte desprendida da matéria, vê o futuro desdobrar-se diante de si e goza, por antecipação, do estado de Espírito.

158 - O exemplo da lagarta que, primeiro, anda de rastos pela terra, depois se encerra na sua crisálida em estado de morte aparente, para enfim renascer com uma existência brilhante, pode dar-nos ideia da vida terrestre, do túmulo e, finalmente, da nossa nova existência?
"Uma ideia acanhada. A imagem é boa; todavia, cumpre não seja tomada ao pé da letra, como frequentemente vos sucede."

159 - Que sensação experimenta a alma no momento em que reconhece estar no mundo dos Espíritos?
"Depende. Se praticaste o mal, impelido pelo desejo de o praticar, no primeiro momento te sentirás envergonhado de o haveres praticado. Com a alma do justo as coisas se passam de modo bem diferente. Ela se sente como que aliviada de grande peso, pois que não teme nenhum olhar prescrutador."

160 - O Espírito se encontra imediatamente com os que conheceu na Terra e que morreram antes dele?
"Sim, conforme a afeição que lhes votava e a que eles lhe consagravam. Muitas vezes aqueles seus conhecidos o vêm receber à entrada do mundo dos Espíritos e o ajudam a desligar-se das faixas da matéria. Encontra-se também com muitos dos que conheceu e perdeu de vista durante a sua vida terrena. Vê os que estão na erraticidade, como vê os encarnados e os vai visitar"

161 - Em caso de morte violenta e acidental, quando os órgãos ainda não se enfraqueceram em consequência da idade ou das moléstias, a separação da alma e a cessação da vida ocorrem simultaneamente?
"Geralmente assim é; mas, em todos os casos, muito breve é o instante que medeia entre uma e outra."

162 - Após a decapitação, por exemplo, conserva o homem por alguns instantes a consciência de si mesmo?
"Não raro a conserva durante alguns minutos, até que a vida orgânica se tenha extinguido completamente. Mas, também, quase sempre a apreensão da morte lhe faz perder aquela consciência antes do momento do suplício."

Trata-se aqui da consciência que o suplicado pode ter de si mesmo, como homem e por intermédio dos órgãos, e não como Espírito. (...) Ela [a consciência], porém, cessa necessariamente com a vida orgânica do cérebro, o que não quer dizer que o perispírito esteja inteiramente separado do corpo. Ao contrário: em todos os casos de morte violenta, quando a morte não resulta da extinção gradual das forças vitais, mais tenases são os laços que prendem o corpo ao perispírito e, portanto mais lento o desprendimento completo. - e maior chances de confusão mental, de não compreender o que houve consigo.

22 de jun. de 2011

A alma após a morte

149 - Que sucede à alma no instante da morte?
"Volta a ser Espírito, isto é, volve ao mundo dos Espíritos, donde se apartara momentâneamente."

150 - A alma após a morte, conserva a sua individualidade?
"Sim; jamais a perde. Que seria ela, se não a conservasse?"
a) Como comprova a alma a sua individualidade, uma vez que não tem mais corpo material?
"Continua a ter um fluido que lhe é próprio, haurido na atmosfera dos seu planeta, e que guarda a aparência de sua última encarnação: seu perispírito."
b) A alma nada leva consigo deste mundo?
"Nada a não ser a lembrança e o desejo de ir para um mundo melhor, lembrança cheia de doçura ou de amargor, conforme o uso que ela fez da vida. Quanto mais pura for, melhor compreenderá a futilidade do que deixa na Terra."

151 - Que pensar da opinião dos que dizem que após a morte a alma retorna ao todo universal?
"O conjunto dos Espíritos não forma um todo? não constitui um mundo completo? Quando estás numa assembléia, és parte integrante dela; mas não obstante, conservas sempre sua individualidade."

152 - Que prova que podemos ter da individualidade da alma depois da morte?
"Não tendes essa prova nas comunicações que recebeis? Se não fôsseis cegos, veríeis; se  não fôsseis surdos, ouviríeis; pois que muito amiúde uma voz vos fala, reveladora da existência de uma ser que está fora de vós."

Os que supõem que, semelhante à gota d'água que cai no Oceano , a alma perde ali sua individualidade.
Se as almas se confundissem numa amálgama só teriam as qualidades do conjunto, nada as distinguiria umas das outras. Careceriam de inteligência e de qualidades pessoais.
As individualidades da alma nos era ensinada em teoria, como artigo de fé. O Espiritismo a torna manifesta e, de certo modo, material.

153 - Em que sentid se deve entender a vida eterna?
"A vida do Espírito é que é eterna; a do corpo é transitória e passageira. Quando o corpo morre, a alma retoma a vida eterna"
a) Não seria mais exato chamar a vida eterna à dos Espíritos puros, dos que, tendo atingido a perfeição, não estão sujeitos a sofrer mais prova alguma?
"Essa é antes, a felicidade eterna. Mas isto constitui uma questão de palavras. Chamai as coisas como quiserdes, contanto que vos entendais.

9 de mai. de 2011

Materialismo

147 - Por que é que os anatomistas, os fisiologistas e, em geral, os que aprofundam a ciência da natureza, são, com tanta frequência, levados ao materialismo?
"O fisiologista  refere tudo ao que vê. Orgulho dos homens que julgam saber tudo e não admitem haja coisa alguma que lhes esteja acima do entendimento. A própria ciência que cultivam os enche de presunção. Pensam que a Natureza nada lhes pode conservar oculto"

148 - Não é de lastimar que o materialismo seja uma consequência de estudos que deveriam, contrariamente, mostrar ao homem a superioridade da inteligência que governa o mundo? Deve-se daí concluir que são perigosos?
"Não é exato que o materialismo seja uma consequência desses estudos. O homem é que deles tira uma consequência falsa, pela razão de lhe ser dado abusar de tudo,  mesmo nas melhores coisas. Acresce que o nada os amedronta mais do que eles quereriam que parecesse, e os espíritos fortes, quase sempre, são antes fanfarrões do que bravos. Na sua maioria, só são materialistas porque não tem com que encher o vazio do abismo que adiante deles se abre. Mostrai-lhes uma âncora de salvação e a ela se agarrarão pressurosamente."
Por uma aberração da inteligência, pessoas há que só vêem nos seres orgânicos a ação da matéria e a esta atribuem todos os nossos atos. (...) Como não viram a alma escapar-se, como não a puderam apanhar, concluíram que tudo se continha nas propriedades da matéria e que, portanto, à morte se seguia a aniquilação do pensamento. (...) Uma sociedade que se fundasse sobre tais bases traria em si o gérmen de sua dissolução e seus membros se entredevorariam como animais ferozes. (...) Quem, de fato, poderia encarar com indiferença uma separação absoluta de tudo o que foi objeto de seu amor? (...) Quem vem a ser, porém, essa felicidade que nos aguarda no seio de Deus? Será uma beatitude, uma contemplação eterna, sem outra ocupação mais do que entoar louvores ao Criador?

27 de jan. de 2011

A Alma

134 - o que é a alma?
"Um Espírito encarnado."
a)Que era a alma antes de se unir ao corpo?
"Espírito."
b)As almas e os Espíritos são, portanto, idênticos, a mesma coisa?
"Sim, as almas não são senão os Espíritos. Antes de se unir ao corpo, a alma é um dos seres inteligentes que povoam o mundo invisível, os quais temporariamente revestem um invólucro carnal para se purificarem e esclarecerem."

135 - Há no homem alguma outra coisa além da alma e do corpo?
"Há o laço que liga a alma ao corpo."
a) De que natureza é este laço?
"Semimaterial, isto é, de natureza intermédia entre o Espírito e o corpo. É preciso que seja assim para que os dois possam se comunicar um com o outro. Por meio deste laço é que o Espírito atua sobre a matéria reciprocamente."

O homem é, portanto, formado de 3 partes essenciais:
1 - O corpo ou ser material, análogo ao dos animais e animado pelo mesmo Princípio Vital;
2 - A alma, Espírito encarnado que tem no corpo a sua habitação;
3 - O princípio intermediário, ou perispírito. Substância semimaterial que serve de primeiro envoltório ao Espírito e liga a alma ao corpo.

136 - A alma independe do Princípio Vital? 
" O corpo não é mais do que envoltório, repetio-lo constantemente."
a) Pode o corpo existir sem alma?
"Pode, entretando, desde que cessa a vida do corpo, a alma o abandona. Antes do nascimento, ainda não há união definitiva entre a alma e o corpo; enquanto que, depois desta união se haver estabelecido, a morte do corpo rompe os laços que o prendem à alma e esta o abandona. A vida orgânica pode animar um corpo sem alma, mas a alma não pode habitar um corpo privado de vida orgânica."
b) Que seria o nosso corpo, se não tivesse alma?
"Simples massa de carne sem inteligência, tudo que quizerdes, menos um homem."

137 - Um Espírito pode encarnar a um tempo em dois corpos diferentes?
"Não, o Espírito é indivisível e não pode animar simultâneamente dois seres distintos."

138 - Que se deve pensar da opnião dos que consideram a alma o princípio da vida material?
"É uma questão de palavras, com que nada temos. Começais por vos entenderdes mutuamente."

139 - Alguns Espíritos e, antes deles, alguns filósofos definiram a alma como sendo "uma centelha anímica emanada do grande Todo". Porque essa contradição?
"Não há contradição. Tudo depende das acepções das palavras. Por que não tendes uma palavra para cada coisa?"
- Aqui entra uma escusa massante de Kardec sobre termos.

140 - Que se deve pensar da teoria da alma subdividida em tantas partes quantos são os músculos e presidindo assim a cada uma das funções do corpo?
"Ainda isto depende do sentido que se empreste à palavra alma. Se se entende por alma o fluido universal, essa teoria tem razão de ser; se se entende por alma o Espírito encarnado, é errônea. Já dissemos que o Espírito é indivisível. Ele imprime movimento aos órgãos, servido-se do fluido intermediário, sem que para isso se divida."
a) Entretando alguns Espíritos dera essa definição.
"Os Espíritos ignorantes podem tomar o efeito pela causa."
- A alma atua por intermédio dos órgãos, e estes são animados pelo fluido vital. O fluido por eles se reparte existindo em maior ou abundância dependendo onde há foco de movimento.


141 - Há alguma coisa de verdadeiro na opinião dos que pretendem que a alma é exterior ao corpo e o circunvolve?
"A alma não se acha encerrada no corpo, qual pássaro numa gaiola. Irradia e se manifesta exteriormente, como a luz atravez de um globo de vidro, ou como som em torno de um centro de sonoridade. Neste sentido se pode dizer que ela é exterior, sem que por isso constitua o invólucro do corpo. A alma tem dois envólucros. Um sutil e leve: é o primeiro, ao qual chamas perispírito; outro , grosseiro, maternal e pesado, o corpo. A alma é o centro de todos os envoltórios, como o gérmen em um núcleo, já o temos dito.

142 - Que dizeis dessa outra teoria segundo a qual a alma, numa criança, se vai completando a cada período de vida?
"O Espírito é uno e está todo na criança, como no adulto. Os órgãos, ou instrumentos das manifestações da alma, é que se desenvolvem e completam. Ainda aí tomam o efeito pela causa."

143 - Por que todos os Espíritos não definem do mesmo modo a alma?
"Os Espíritos não se acham todos esclarecidos igualmente sobre os assuntos. Há espíritos de inteligência ainda limitada, que não compreendem as coisas abstratas. São como as crianças entre vós. Também há Espíritos pseudo-sábios, que fazem alarde de palavras, para de imporem, ainda como sucede entre vós. Depois, os próprios espíritos esclarecidos podem exprimir-se em termos diferentes, cujo valor, entretanto, é, substancialmente, o mesmo. Sobretudo quando se trata de coisas que a vossa linguagem se mostra impotente para traduzir com clareza. Recorrem então a figuras, a comparações, que tomais como realidade."

144 - Que se deve entender por alma do mundo?
"O princípio universal da vida e da inteligência, do qual nascem as individualidades. Mas, os que se servem dessa expresão não se compreendem, as mais das vezes, uns aos outros. O termo alma é tão elástico que cada um o interpreta ao sabor de suas fantasias. Também à Terra hão atribuído uma alma. Por alma da Terra se deve entender o conjunto de espíritos abnegados, que dirigem para o bem as vossas ações, quando os escutais, e que, de certo modo, são os lugares-tenentes de Deus com relação ao vosso planeta."

145 - Como se explica que tantos filósofos antigos e modernos, durante tão longo tempo, hajam discutido sobre a ciência psicológica e não tenham chegado ao conhecimento da verdade?
"Esses homens eram os precursores da eterna Doutrina Espírita. Prepararam os caminhos. Eram homens e, como tais, se enganaram, tomando suas próprias idéias pela luz. No entanto, mesmo os seus erros servem para realçar a verdade, mostrando o pró e o contra. Demais, entre esses erros se encontram grandes verdades que um estudo comparativo torna apreensíveis."

146 - A alma tem, no corpo, sede determinada  e circunscrita?
"Não; porém, nos grandes gênios, em todos os que pensam muito, ela reside particularmente na cabeça, ao passo que ocupa particularmente o coração naqueles que muito sentem e cujas emoções têm todas por objeto a humanidade"
a) Que se deve pensar da opinião dos que situam a alma num centro vital?
"Quer isso dizer que o Espírito habita de preferencia essa parte  do vosso organismo, por ser aí o ponto de convergência de todas as sensações. Os que a situam no que consideram o centro da vitalidade, esses a confundem com o fluido ou princípio vital. Pode, todavia, dizer-se que a sede da alma se encontra especialmente nos órgãos que servem para as manifestações intelectuais e morais."

27 de jun. de 2010

Objetivo da encarnação

132 - Qual objetivo da encarnação dos Espíritos?
"Deus lhes impõe a reencarnalção com o fim de fazê-los dhegar à perfeição. Para uns, é expiação; para outros, missão. Mas, para alcançarem essa perfeição, têm que sofrer todas as vicissitudes da existência corporal: nisso é que está a expiação. Visa ainda outro fim a encarnação: o de por o Espírito em condições de suportar a parte que lhe toca na obra da criação. Para executá-la é que, em cada mundo, toma o Espírito um instrumento, de harmonia com a matéria essencial desse mundo, a fim de aí cumprir, daquele ponto de vista, as ordens de Deus. É assim que, concorrendo para a obra geral, ele próprio se adianta.
- A ação dos seres corpóreos é necessária à marcha do Universo. Deus, porém, na sua sabedoria, quis que nessa mesma ação eles encontrassem um meio de progredir e de se aproximar dele. Deste modo, por uma admirável lei da Providência, tudo se encadeia, tudo é solidário na Natureza.

133 - Têm necessidade de encarnação os Espíritos que, desde o princípio, seguiram o caminho do bem?
"Todos são criados simples e ignorantes e se instruem nas lutas e tribulações da vida corporal. Deus, que é justo, não podia fazer felizes uns, sem fadigas e trabalhos, conseguintemente, sem mérito."
a) Mas, então, de que serve aos Espíritos terem seguido o caminho do bem, se isso não os isenta dos sofrimentos da vida corporal?
"Chegam mais depressa ao fim. Demais, as aflições da vida são muitas vezes a conseqüência da imperfeição do Espírito. Quanto menos imperfeições, tanto menos tormentos. Aquele que não é invejoso, nem ciumento, nem avaro, nem ambicioso, não sofrerá as torturas que se originam desses defeitos."

Anjos e demônios

128 - Os seres a que chamamos anjos, arcanjos, serafins, formam uma categoria especial, de natureza diferente da dos outros Espíritos?
"Não; são Espíritos puros; os que se acham no mais alto grau de escala e reúnem todas as perfeições."
- A palavra anjo dá a idéia de perfeição moral. Mas se aplica também a gênios, bons ou maus. No caso o termo toma aqui sua melhor acepção.

129 - Os anjos hão percorrido todos os graus da escala?
"Percorreram todos os graus, mas do modo que havemos dito: uns, aceitando sem murmurar suas missões, chegaram depressa; outros, gastaram mais ou menos tempo para chegar à perfeição."

130 - Sendo errônea a opinião dos que admitem a existência de seres criados perfeitos e superiores a todas as outras criaturas, como se explica que essa crença esteja na tradição de quase todos os povos?
"Fica sabendo que o mundo onde te achas não existe de toda a eternidade e que, muito tempo antes que ele existisse, já havia Espíritos que tinham atingido o grau supremo. Axreditaram os homens que eles eram assim desde todos os tempos."

131 - Há demônios, no sentido que se dá a essa palavra?
"Se houvesse demônios, seriam obra de Deus. Mas, porventura, Deus seria justo e bom se houvera criado seres destinados eternamente ao mal e a permanecerem eternamente desgraçados? Se há demônios, eles se encontram no mundo inferior em que habitais e em outros semelhantes. São esses homens hipócritas que fazem de um Deus justo um Deus maus e vingativo e que julgam agradá-lo por meio das abominações que praticam em seu nome"
- A palvra demônio não implica de Espírito mai, senão na sua acepção moderna, porquenato o termo grego daïmon, donde ela derivou, significa gênio, inteligência e se aplicava ao seres incorpóreos, bons ou maus, indistintamente.

6 de jun. de 2010

Progressão dos Espíritos

114 - OS Espíritos são bons ou maus por natureza, ou são eles mesmos que se melhoram?
"São os próprios espíritos que se melhoram e, melhorando-se passam de uma ordem inferior para outra mais elevada"


115 - Dos espíritos, uns terão sido criados bons e outros maus?
"Deus criou todos os espíritos simples e ignorantes, isto é, sem saber. A cada um deu determinada missão, com o fim de esclarecê-los e de os fazer chegar progressivamente à perfeição, pelo conhecimento da verdade, para aproximá-los de si. Nesta perfeição é que eles encontram a eterna felicidade. Passando pelas provas que Deus lhes impõe é que os Espíritos adquirem aquele conhecimento. Uns aceitam submissos essas provas e chegam mais depressa à meta que lhes foi assinalada. Outro só a suportam murmurando e, pela falta em que desse modo incorrem, permanecem afastados da perfeição e da prometida felicidade"
a)Segundo o que acabais de dizer, os Espíritos, em sua origem, seriam como as crianças, ignorantes e inexperientes, só adquirindo pouco a pouco os conhecimentos de que carecem com o percorrerem as diferentes fases da vida?
"Sim, a comparação é boa. A criança rebelde se conserva ignorante e imperfeita. Seu aproveitamento depende da sua maior ou menor docilidade. Mas, a vida do homem tem termo ao passo que a dos Espíritos se prolonga ao infinito."


116 - Haverá espíritos que se conservem eternamente nas ordens inferiores?
"Não; todos se tornarão perfeitos. Mudam de ordem, mas demoradamente, porquanto, como já doutra vez dissemos, um pai justo e misericordioso não pode banir seus filhos para sempre. Pretendais que Deus, tão grande, tão bom, tão justo, fosse pior do que vós mesmos?"


117 - Depende dos Espíritos o progredirem mais ou menos rapidamente para a perfeição?
"Certamente. Eles a alcançam mais ou menos rápido, conforme o desejo que têm de alcançá-la e a submissão que testeminham à vontade de Deus. Uma criança dócil não se instrui mais depressa que outra recalcitrante?"


118 - Podem os Espíritos degenerar?
"Não; à medida que avançam, compreendem o que os distanciava da perfeição. Concluindo uma prova, o Espírito fica com a ciência que daí lhe veio e não a esquece. Pode permanecer estacionário, mas não retrograda."


119 - Não podia Deus isentar os Espíritos das provas que lhes cumpre sofrer para chegarem à primeira ordem?
"Se Deus os houvesse criado perfeitos, nenhum mérito teriam para gozar dos benefícios dessa perfeição. Onde estaria o merecimento sem a luta? Demais, a desigualdade entre eles existente é necessária às suas personalidades. Acresce ainda que as missões que desempenham nos diferentes graus da escala estão nos desígnios da Providência, para a harmonia do Universo."


120 - Todos os Espíritos passam pela fileira do mal para chegar ao bem?
"Pela fileira do mal, não; pela fileira da ignorância."


121 - Porque é que alguns Espíritos seguiram o caminho do bem e outros o do mal?
"Não tem eles o livre-arbítrio? Deus não os criou maus; criou-os simples e ignorantes, isto é, tendo tanta aptidão para o bem quanta para o mal. Os que são maus, assim se tornaram por vontade própria"


122 - Como podem os Espíritos, em sua origem, quando ainda não têm consciência de si mesmos, gozar da liberdade de escolha entre o bem e o mal? Há neles algum princípio, qualquer tendência que nos encaminhe para uma senda de preferência ou outra?
"O livre-arbítrio se desenvolve à medida que o espírito adquire a consciência de si mesmo. Já não haveria liberdade, desde que a escolha fosse determinada por uma causa independente da vontade do Espírito. A causa não está nele, está fora dele, nas influências a que cede em virtude da sua livre vontade. É o que se contém na grande figura emblemática da queda do homem e do pecado original: uns cederam à tentação, outros resistiram."
a) Donde vêm as influências que sobre ele se exercem?
"Dos Espíritos imperfeitos, que procuram apoderar-se dele, dominá-lo, e que rejubilam-se com o fazê-lo sucumbir. Foi isso o que se intentou simbolizar na figura de Satanás."
b) Tal influência só se exerce sobre o Espírito em sua origem?
"Acompanha-o na sua vida de Espírito, até que os haja conseguido tanto império sobre si mesmo, que os maus desistem de obsidiá-lo."


123 - Por que há Deus permitido que os Espíritos possam tomar o caminho do mau?
"Como ousais pedir a Deus contas de seus atos? Supondes poder penetrar-lhe os desígnios? Podeis, todavia, dizer o seguinte: A sabedoria de Deus stá na liberdade de escolher que ele deixa a cada um, porquanto, assim, cada um tem o mérito de suas obras."


124 - Pois que ha Espíritos que desde o princípio seguem o caminho do bem absoluto e outro o do mal absoluto, deve haver, sem dúvida, gradações entre esses dois extremos. Não?
"Sim, certamente, e os que se acham nos graus intermédios constituem a maioria."


125 - Os Espíritos que enveredam pela sendo do mal poderão chegar ao mesmo grau de superioridade que os outros?
"Sim; mas as eternidades lhes serão mais longas."


126 - Chegados ao grau supremo da perfeição, os Espíritos, que andaram pelo caminho do mal têm, aos olhos de Deus, menos mérito que os outros?
"Deus olha de igual maneira para os que se transviaram e para os outros e a todos ama com o mesmo coração. Aqueles são chamados maus, porque sucumbiram. Antes, não eram mais que simples Espíritos.


127 - Os Espíritos são criados igual quanto às faculdades intelectuais?
"São criados iguais, porém, não sabendo donde vêm preciso é que o livre-arbítrio siga seu curso. Eles progridem mais ou menos rapidamente em inteligência como em moralidade."

Os Espíritos que desde o princípio seguem o caminho do bem não são por isso perfeitos. Não desenvolvem dívidas, obviamente, mas precisam aprimorar-se e adquirir esperiência e conhecimentos indispensáveis à perfeição. 
Com a difernça capital da criança que já tem instintos formados, o Espírito ao formar-se, não é nem bom nem ruim; tem todas as tendências e toma uma ou outra direção por efeito do livre-arbítrio.

27 de mar. de 2010

Escala Espírita

Este texto, e subseqüentemente o quadro, foram feitos por Kardec. Removi as partes que deixariam o texto extenso e cansativo, sem tira-lhe o sentido.

100 - Observações preliminares - A classificação dos Espíritos se baseia no grau de adiantamento deles, nas qualidades que já adiquiriram e nas imperfeições de que ainda terão que despojar-se. (...) De um grau a outro a transição é insensível e, nos limites extremos, os matizes se apagam, como nos reinos da natureza, como nos diferentes períodos da vida do homem. (...) Deixaram-nos a nós a forma, a escolha dos termos, as classificações, numa palavra, os sistemas.
Façamos ainda uma consideração que não se deve jamais perder de vista, a de que entre os espíritos, do mesmo modo que entre os homens, há os muito ignorantes, de maneira que nunca serão demais as cautelas que se tomem contra a tendência a crer que, por serem espíritos, todos devam saber de tudo. (...) Consideram da primeira categoria todos os Espíritos que lhes são superiores, por não poderem apreciar as gradações de saber, de capacidade e de moralidade que os distinguem. (...)
Os Espíritos em geral admitem 3 categorias principais, ou 3 grandes divisões.(...)
Faremos, todavia, notar que estes não ficam pertencendo a este ou aquele grupo. Sendo sempre gradual o processo deles e muitas vezes mais acentuado num sentido que em outro, pode acontecer que muitos reúnam em si os caracteres de várias categorias, o que seus atos e linguagem tornam possível apreciar-se.

Terceira Ordem - Espíritos Imperfeitos

Características gerais: Predominância da matéria sobre o espírito. Propensão para o mal. Ignorância, orgulho, egoísmo e todas as paixões que lhes são consequêntes.
Têm intuição de Deus, mas nao o compreendem.
Nem todos são essencialmente maus. Em alguns há mais leviandade, irreflexão e malícia que verdadeira maldade. Alguns não operam nem pelo bem ou mal, já outros se comprazem no mau.
 inteligência acha-se aliada à maldade ou à malícia. Têm idéias mais ou menos elevadas e mais ou menos abjetos são seus sentimentos de acordo com seu desenvolvimento intelectual.
Confunde os conceitos da vida espírita com as idéias e preconceitos da vida corporal.
Na linguagem que usam se lhes revela o caráter. 
Eles vêem a felicidade dos bons espíritos e isso lhes constitui incessante tormento, porque os faz experimentar todas as angústias que a inveja e o ciúme podem causar.
Sofrem com as lembranças de outras vidas e julgam que assim sofrerão para sempre.

Compõem 5 outras classes:

Décima classe:
Espíritos Impuros - Inclinados aos mal, ocupam-se exclusivamente disso. Sopram a discórdia e a desconfiança. Ligam-se aos homens de caráter fraco, satisfeitos por retardarem-lhe o crescimento.
Reconhece-os pela linguagem em suas manifestações. São triviais e grosseiros - assim como nos homens o linguajar mostra sua inferioridade moral, senão intelectual.
Alguns povos os arvoram em divindades maléficas como demônios ou maus gênios.
Quando encarnados se mostram propensos a todos os vícios geradores ed paixões vis e degradantes: sensualidade, crueldade, felonia, hipocrisia, cupidez, avareza sórdida...
Fazem o mal por prazer, muitas vezes sem motivo algum. E por ódio ao bem escolhem suas vítimas entre as pessoas honestas.

Nona Classe:
Espíritos Levianos - A esta classe estão aqueles espíritos que a supertição convencionou como Duendes, trasgos, gnomos e diabretes.
São maliciosos, ignorantes, zombeteiros.
Metem-se em tudo, a tudo respondem, sem se incomodarem com a verdade.
Gostam de induzir ao erro, trazem poucas e pequenas alegrias, intrigas, mistificações.
A linguagem a que se utilizam comunmente é espirituosa e facetada, mas sem profundeza de idéias. Aproveitam-se das esquisitices e ridicularidades humanas e os apreciam, mordazes  satíricos.
Quando tomam nomes supostos é mais por malícia e pregação de peças que por maldades.

Oitava Classe:
Espíritos Pseudo-Sábios - Dispõem de conhecimentos bastante amplos, mas crêem saber mais do que realmente sabem.
Tendo realizado diversos progressos sua linguagem aparenta seriedade, chegando a iludir os desavisados, de acordo à suas capacidades e luzes.
Mas, em geral, não pssam de idéias, preconceitos e crenças que adquitiram na vida terrena.
Misturam verdades com erros, acabam entrando na presunção, no orgulho, no ciúme e na obstinação.

Sétima Classe:
Espíritos Neutros - Nem bons o suficiente pra fazer o bem, nem maus para operar o mau.
Não vão muito longe dos conceitos básicos que se espera à moral ou à inteligência humanas.
Apegam-se ao mundo físico, cujas alegrias grosseiras ainda sentem saudades.

Sexta Classe:
Espíritos Batedores e pertubadores - Não formam uma classe específica sozinhos, podem encaixar-se em qualquer uma das classes anteriores.
Manifestam-se por efeitos sensíveis e físicos, como pancadas, movimentos e deslocamentos anormais.
São agentes de vicissitudes globais, seja sobre o ar, a água ou o fogo, pois reconhece-se que esses fenômenos não derivam de causas fortuitas, pois denotam caráter intencional e inteligente, sendo estes designados por espíritos mais elevados e realizados pelos desta classe.


Segunda Ordem: Bons Espíritos

Características Gerais:Predominância do espírito sobre matéria. Possuem desejo pelo bem, têm qualidades e poderes para tal de acordo com seu adiantamento.
Uns têm a ciência, outros a sabedoria, ou bondade. 
Os mais adiantados reúnem qualidades à moral. 
De acordo ainda com seu adiantamento conservam mais ou menos características físicas corporais, e de linguagem, assim como comportamento e hábitos.
Compreendem Deus e o infinito e já gocam da felicidade que somente os bons poderiam. 
Ficam felizes pelo bem que fazem, e pelo mau que impedem. 
Já não apresentam as más paixões, mas ainda têm provas a realizar.
Não os movem orgulho ou egoísmo, ou ambição. Não experimentam ódio, rancor, inveja ou ciumes.
Nas épocas de supertições estes seriam os Bons Gênios, Gênios Protetores.

Compõem 4 outras classes:

Quinta Classe:
Espírtos Benévolos - Sua bondade é sua característica principal. Mas, limitados são seus conhecimentos. Hão progredido mais moralmente que intelectualmente.

Quarta Classe:
Espíritos Sábios - Distinguem-se pelos seus aplos conhecimentos. Preocupam-se mais com as questões intelectuais que as morais, para as quais têm maior aptidão.
Já não são dominados por paixões, então se dedicam à ciência por sua utilidade.

Terceira Classe:
Espíritos de Sabedoria - As qualidades morais de ordem mais elevada. Têm conhecimento limitado, mas muito mais sábios que nenhum homem jamais seria.

Segunda Classe:
Espíritos Superiores - Estes reúnem em si a ciência, a sabedoria e a bondade.
Sua linguagem exala sabedoria, bondade e é invariavelmnt digna e elevada.
Sua superioridade os torna mais aptos que qualquer outros a nos proverem informações exatas sobre as coisas todas.
Comunicam-se somente com homens de boa-fé para fins benévolos.
Afastam-se daqueles de se baseiam na curiosidade, que fogem à prática do bem.
Quando, por EXCEÇÃO encarnam nesta Terra é somente para cumprir missão de progresso e nos oferecer aspirações de aperfeiçoamento.

Primeira Ordem - Espíritos Puros

Características Gerais:Absolutamente nenhuma influência da matéria. Superioridade intelectual e moral absoluta.

Primeira e única Classe - Estes percorreram todas as outras classes e se despojaram de todas as impurezas da matéria.
Gozam de inalteráveis bênçãos e trabalham no seio de Deus. 
São designados comos Anjos, Arcanjos ou Serafins.








8 de mar. de 2010

Diferente ordem de Espíritos

96 - São iguais os Espíritos, ou há, entre eles qualquer hierarquia?
"São de diferentes ordens conforme o grau de perfeição que tenham alcançado"

97 - As Ordens ou graus de perfeição dos Espíritos são em número determinado?
"São ilimitadas em número, porque entre elas não há linhas de demarcação traçads como barreiras, de sorte que as divisões podem ser multiplicadas ou restringidas livremente. Todavia, considerando-se os caracteres gerais dos espíritos, elas podem reduzir-se a 3 principais ordens.
"Na primeira colocar-se-ão  os que atingiram a perfeição máxima: os puros Espíritos.
"Formam a segunda o que chegaram ao meio da escala: o desejo do bem é o que neles predomina.
"Pertencerão à terceira os que ainda se acham na parte inferior da escala: os Espíritos imperfeitos. A ignorância, o desejo do mal e todas as paixões más que lhes retardam o progresso é os que os caracterizam."

98 - Os Espíritos da segunda ordem, para os quais o bem constitui a preocupação dominante, têm o poder de praticá-lo?
"Cada um deles dispõem desse poder, de acordo com o grau de perfeição a que chegou. Assim, uns possuem a ciência, outros a sabedoria e a bondade. Todos, porém, ainda têm que sofrer provas"

99 - Os da terceira categoria são todos essencialmente maus?
"Não. uns há que não fazem nem o mal nem o bem; outros, ao contrário, se comprazem no mal e ficam satisfeitos quando se lhes depara ocasião de praticá-lo. Há também os levianos ou estouvados, mais pertubadores doque malignos, que se comprazem antes da malícia do que na malvadez e cujo prazer consiste em mistificar e causar pequenas contrariedades, de que se riem."

Perispírito

93 - O Espírito propriamente dito, nenhuma cobertura tem, ou, como pretendem alguns, está sempre envolto numa substância qualquer?
"Envolve-o uma substância, vaporosa para os teus olhos, mas ainda bastante grosseira para nós; assaz vaporosa, entretnto, para poder elevar-se na atmosfera e transportar-se aonde queira"

(...)Se pode chamar perispírito [o que] serve de envoltório ao Espírito propriamente dito.

94 - De onde tira o Espírito o seu invólucro semimaterial?
"Do fluido universal de cada globo, razão por que não é odêntico em todos os mundos. Passando de um mundo a outro, o Espírito muda de envoltório, como muidais de roupa"
a) - Assim, quando os Espíritos que habitam mundos superiores vêm ao nosso meio, tomam um perispírito mais grosseiro?
"É necessário que se revistam da vossa matéria, já o dissemos"

95 - O invólucro semimaterial do Espírito tem formas determinadas e pode ser perceptível?
"Tem a forma que o Espírito queira. É assim que este vos aparece algumas vezes; quer em sonho, quer no estado de vigília, e que pode tomar forma visível, até mesmo palpável"

Forma e ubiqüidade dos Espíritos

88 - Os Espíritos têm forma determinada, limitada e constante?
"Para vós, não; para nós, sim. O Espírito é, se quiserdes, uma chama, um clarão, ou uma centelha etérea"
a) - Essa chama ou centelha tem cor?
"Tem uma coloração que, para vós, vai do colorido escuro opaco a uma cor brilhante, qual a do rubi, conforme o Espírito é mais ou menos puro"

Representam-se de ordinário os gênio com uma chama ou estelha na fronte, É uma alegoria, que lembra a natureza essencial dos Espíritos. Colocam-na no alto da cabeça, porque aí está a sede da inteligência.

89 - Os Espíritos gastam algum tempo para percorrer o espaço?
"Sim, mas fazem-no com a rapidez do pensamento"
a) - O pensamento não é a própria alma que se transporta?
"Quando o pensamento está em alguma parte, a alma aí tambem está, pois que é a alma quem pensa. O pensamento é um atributo"

90 - O Espírito que se transporta de um lugar a outro tem consciência da distância que percorre e dos espaços que atravessa, ou é subitamente transportado ao lugar onde quer ir?
"Dá- uma e outra coisa. O Espírito pode perfeitamente, se quizer, inteirar-se da distância que percorre, mas também essa distância pode desaparecer completamente, dependendo isso da sua vontade, bem como da sua natureza mais ou menos depurada."

91 - A matéria opõe obstáculo aos Espíritos?
"Nenhum; eles passam atrazvéz de tudo. O ar, terra, as águas e até mesmo o fogo lhes são igualmente acessíveis"

92 - Têm os espíritos o dom da ubiqüidade? Por outras palavras: um Espírito pode dividir-se, ou existir em muitos pontos ao mesmo tempo?
"Não pode haver divisão de um mesmo espírito; mas, cada um é um centro que irradia para diversos lados. Isso é que faz parecer estar um Espírito em muitos lugares, ao mesmo tempo. Vê o sol? É um somente. No entanto, irradia em todos os sentidos e leva muito longe seus raios. Contudo, não divide-se"
a) - Todos os Espíritos irradiam com igual força?
"Longe disso. Essa força depende do grau de pureza de cada um"

Cada espírito é uma unidade indivisível, mas cada um pode lançar seus pensamentos para diversos lados, sem que se fracione para tal efeito (...)

7 de fev. de 2010

Mundo normal primitivo

84 - Os Espíritos constituem um mundo à parte, fora daquele que vemos?
"Sim, o mundo dos Espíritos, ou das inteligências incorpóreas"

85 - Qual dos dois, o mundo espírita ou o mundo corpóreo, é o principal, na ordem das coisas?
"O mundo dos Espírita, que preexiste e sobrevive a tudo"

86 - O mundo corporal poderia deixar de existir, ou nunca ter existido, sem que isso alterasse a essência do mundo espírita?
"Decerto. Eles são independentes; contudo, é incessante a correlação entre ambos, porquanto um sobre o outro incessantemente reagem"

87 - Ocupam os Espíritos uma região determinada e circunscrita no espaço?
"Estão por toda parte. Povoam infinitamente os espaços infinitos. Tendes muitos deles de contíuno a vosso lado, observando-vos e sobre vós  atuando, sem o perceberdes, pois que os Espíritos são uma potência da natureza e os instrumentos de que Deus se serve para execução de seus desígnios providenciais. Nem todos, porém, vão a toda parte, por isso que há regiões interditas aos menos adiantados."

28 de dez. de 2009

Origem e natureza dos Espíritos

76 - Que definição se pode dar aos Espíritos?
"Pode-se dizer que os espíritos são os seres inteligentes da criação. Povoam o Universo, fora do mundo material"
NOTA: A palavra espírito é empregada aqui para designar as individualidades dos seres extracorpóreos e não mais o elemento inteligente do Universo.

77 - Os Espíritos são seres distintos da Divindade, ou serão simples emanações ou porções desta e, por isto, denominados filhos de Deus?
"Meu Deus! São obra de Deus, exatamente qual a máquina o é do homem que a fabrica. A máquina é obra do homem, não é o próprio homem, Sabes que, quando faz alguma coisa bela, útil, o homem lhe chama sua filha, criação sua. Pois bem! O mesmo se dá com relação a Deus: somos seus filhos, pois que somos obra sua"

78 - Os Espíritos tiveram princípio, ou existem, como Deus, de toda a eternidade?
"Se não tivessem tido princípio, seriam iguais a Deus, quando, ao invés, são criação sua e se acham submetidos à sua vontade. Deus existe de toda a eternidade, é incontestável. Quanto, porém, ao modo por que nos criou e em que momento o fez, nada sabemos. Podes dizer que não tivemos princípio, se quizeres com isso significar que, sendo eterno, Deus há de ter sempre criado initerruptamente. Mas, quando e como cada um de nós foi feito, repito-me nenhum o sabe: aí é que está o mistério"

79 - Pois que há dois elementos gerais no Universo: o elemento inteligente e o elemento material, poder-se-á dizer que os Espíritos são formados do elemento inteligente, como os corpos inertes o são do elemento material?
"Evidentemente. Os Espíritos são a individualização do princípio inteligente, como os corpos são a individualização do princípio material. A época e o modo por que essa formação se operou é que são desconhecidos."

80 - A criação dos Espíritos é permanente, ou só se deu na origem dos tempos?
"É permanente. Quer dizer: Deus jamais deixou de criar"

81 - Os Espíritos se formam espontâneamente, ou procedem uns dos outros?
"Deus os cria, como a todas as outras criaturas, pela sua vontade. Mas, repito ainda uma vez, a origem deles é mistério."

82 - Será certo dezer-se que os Espíritos são imateriais?
"Como se pode definir uma coisa, quando faltam termos de comparação e com uma linguagem deficiente? Pode um cego de nascença definir a luz? Imaterial não é bem o termo; incorpóreo seria mais exato, pois deves compreender que, sendo uma criação, o Espírito há de ser alguma coisa. É a matéria quitenssenciada, mas sem analogia para vós outros, e tão etérea que escapa inteiramente ao alcance dos vossos sentidos"
Dizemos que os Espíritos são imateriais, por que, pela sua essência, diferem de tudo o que conhecemos sob o nome de matéria. (...) Nós outros somos verdadeiros cegos com relação à essência dos seres sobre-humanos. Não os podemos definir (...) senão por um esforço de imaginação.

83 - Os Espíritos têm fim? Compreende-se que seja eterno o princípio donde eles emanam, mas o que perguntamos é se suas individualidades têm um termo e que se, em dado tempo, mais ou menos longo, o elemento de que são formados não se dissemina e volta à massa donde saiu, como sucede com os corpos materiais. É difícil de conceber-se que uma coisa que teve começo possa não ter fim.
"Há muitas coisas que não compreendeis, por que tendes limitada a inteligência. Isso, porém, não é razão para que as repilais. O filho não compreende tudo o que a seu pai é compreensível, nem o ignorante tudo o que sábio apreende. Dizemos que a exist~encia dos Espíritos não tem fim. É tudo o que podemos, por agora, dizer."

22 de dez. de 2009

Inteligência e Instinto

71 - A inteligência é atributo do princípio vital?
"Não, pois que as plantas vivem e não pensam: só têm vida orgânica. A inteligência e a matéria são independentes, porquanto um corpo pode viver sem a inteligência. Mas, a inteligência só por meio dos órgãos materiais pode manifestar-se. Necessário é que o espírito se una à matéria animalizada para intelectualizá-la"

A inteligência é uma faculdade especial, peculiar a algumas classes de seres orgânicos e que lhes dá, com o pensamento, a vontade de atuar, a consciência de que existem e de que constituem uma individualidade cada um, assim como os os meios de estabelecerem relações com o mundo exterior e de proverem às suas necessidades.
Podem distinguir-se assim: 1° os seres inanimados - constituídos só de matéria,s em vitalidade nem inteligência; 2° os seres animados que não pensam, formados de matéria e dotados de vitalidade, porém, destituídos de inteligência. 3°, os seres animados pensantes, formados de matéria, dotados de vitalidade e tendo a mais um princípio inteligente que lhe outroga a faculdade de pensar"

72 - Qual a fonte da inteligência?
"Já o dissemos; a inteligência universal"
a) Poder-se-ia dizer que acasa ser tira uma porção de inteligência da fonte universal e a assimila, como tira e assimila o princípio da vida material?
"Isto não passa de simples comparação, todavia inexata, por que a inteligência é uma faculdade própria de cada ser e constitui a sua individualidade moral. Demais, como sabeis,h há coisas que ao homem não é dado penetrar e esta, por enquanto, é desse número."

73 - O instinto independe da inteligência?
"Precisamente, não. Por isso que o instinto é uma espécie de inteligência. É uma inteligência sem raciocínio. Por ele é que todos os seres prevêem às suas necessidades."

74 - Pode-se estabelecer uma linha de separação entre o instinto e a inteligência, isto é, precisar onda um acaba e começa a outra?
"Não, por que muitas vezes se confundem. Mas, muito bem se podem distinguir os atos que decorrem do instinto dos que são da inteligência"

75 - É acertado dizer-se que as faculdade instintivas diminuem à medida que crescem as intelectualidades?
"Não; o instinto existe sempre, mas o homem o despreza. O instinto também pode conduzir ao bem. Ele quase sempre nos guia e algumas vezes com mais segurança do que a razão. Nunca se transvia."
a) Por que nem sempre é guia infalível a razão?
"Seria infalível, se não fosse falseada pela má educação, pelo orgulho e pelo egoísmo. O instinto não raciocina; a razão permite a escolha e dá ao homem o livre-arbítrio"
-- Note que à medida que recebemos maior inteligência, maior nossa liberdade, maior nosso domínio sobre nossas ações, e maior a responsabilidade sobre elas.

O instinto é uma inteligência rudimentar, que difere da inteligência propriamente dita, em que suas manifestações são quase sempre espontâneas, ao passo que as da inteligência resultam de uma combinação e de um ato deliberado.
O instinto varia em suas manifestações, conforme às espécies e às suas necessidades. Nos seres que têm a cibsciência e a percepção das coisas exteriores, ele se alia à inteligência, isto é, à vontade e à liberdade.

A vida e a morte

68 - Qual a causa da morte dos seres orgânicos?
"Esgotamente dos órgãos"
a) Poder-se-ia comparar a morte à cessação do movimento de uma máquina desorganizada?
"Sim; se a máquina está mal montada, cessa o movimento; se o corpo está efermo, a vida se extingue"

69 - Por que é que uma lesão do coração mais depressa causa a morte do que as de outros órgãos?
"O coração é a máquina de vida, não é, porém, o único órgão cuja lesão ocasiona a morte. Ele não passa de uma das peças essenciais."

70 - Que é feito da matéria e do princípio vital dos seres orgânicos, quando estes morrem?
"A matéria inerte se decompõe e vai formar novos organismos. o princípio vital volta à massa donde saiu"

Morto o ser orgânioco, os elementos que o compõem sofrem novas combinações, de que resultam novos seres, os quais haurem na fonte universal, o princípio da vida e da atividade, o absorvem e assimilam, para novamente o restituírem a essa fonte, quando deixarem de existir.
Os órgãos se impregnam, por assim dizer, desse fluido vital e esse fluido vital dá a todas as partes do organismo uma atividade que as põe em comunicação entre si. (...) Mas, quando os elementos essenciais ao funcionamento dos órgãos estão destruídos, ou muito profundamente alterados, o fluido vital se torna impotente para lhes transmitir o movimento da vida, e o ser morre.
(...)
A quantidade de fluido vital não é absoluta em todos os seres orgânicos. Varia segundo as espécies e não é constante, quer em cada indivíduo, quer nos indivíduos de uma tal espécie. (...) Daí, pára alguns, vida mais ativa, mais tenaz e, de certo modo, superabundante.
A quantidade de fluido vital se esgota. Pode tornar-se insuficiente para a conservação da vida, se não for renovada pela absorção e assimilação das substâncias que o contén (que você anda comendo?).
O fluido vital se transmite de um individuo a outro. Aquele que  o tiver em maior porção pode dá-lo a um que o tenha de menos e em certos casos prolongar a vida prestes a extinguir-se.

15 de out. de 2009

Dos Seres Orgânicos e Inogânicos

Os Seres Orgânicos são os que têm em si uma fonte de atividade íntima que lhes dá vida. Nascem, crescem, reproduzem-se por si mesmos e morrem. São providos de órgãos especiais para a execução dos diferentes atos da vida, órgãos esses apropriados às necessidades que a conservação própria lhes impõem. Nessa classe estão compreendidos os homens, os animais e as plantas. Seres inorgânicos são todos os que carecem de vitalidade, de movimentos próprios e que se formam apenas pela agregação da matéria. Tais são os minerais, a água, o ar e etec...

60 - É a mesma a força que une os elementos da matéria nos corpos orgânicos e nos inorgânicos?
"Sim, a lei de atração é a mesma para todos."

61 - Há Diferença entre a matéria dos corpor orgânicos e a dos inogânicos?
"A matéria é sempre a mesma, porém nos corpos orgânicos está animalizada."

62 - Qual a causa da animalização da matéria?
"Sua união com o princípio vital"

63 - O princípio vital reside nalgum agente particular, ou é simplesmente uma propriedade da matéria organizada? Numa palavra, é efeito ou causa?
"Uma e outra coisa. A vida é efeito devisa à ação de um agente sobre a matéria. Esse agente, sem a matéria, não é a vida, do mesmo modo que a matéria não pode viver sem esse agente. Ele dá a vida a todos os seres que o absorvem e assimilam."

64 - Vimos que o espírito e a matéria são dois elementos constitutivos do Universo. O princípio vital será um terceiro?
"É, sem dúvida, um dos elementos necessários à constituição do Universo, mas que também tem sua origem na matéria universal modificada. É, para vós, um elemento, como oxigênio e o hidrogênio, que, entretanto, não são elementos primitivos, pois que isso tudo deriva de um só princípio."
a) Parece resultar daí que a vitalidade não tem se princípio num agente primitivo distinto e sim numa propriedade especial da matéria universal, devida a certas modificações.
"Isto é conseqüência do que dissemos"

65 - O princípio vital reside em algum dos corpos que conhecemos?
"Ele tem por fonte o fluido universal. É o que chamamais fluido magnetico, ou fuido elétrico animalizado. É o intermediário, o elo existente entre o espírito e a matéria."

66 - O princípio vital reside é um só para todos os seres orgânicos?
"Sim, modificado segundo as espécies. É ele que lhes dá movimento e atividade e os distingue da matéria inerte, porquanto o movimento da matéria não é a vida. Esse movimento ela o recebe, não o dá."

67 - A vitalidade é atributo permanente do agente vital, ou se desenvolve pelo funcionamento dos órgãos?
"Ela não se desenvolve senão com o corpo. Não dissemos que esse agente sem a matéria não é vida? A união dos dois é necessária para produzir a vida"
a) Poder-se-á dizer que a vitalidade se acha em estado latente, quando o vital não está unido ao corpo?
"Sim, é isso"

O conjunto dos órgãos constitui uma espécie de mecanismo que recebe impulsão da atividade íntima ou princípio viltal que existe entre eles. O princípio vital é a força motriz dos corpos orgânicos. Ao mesmo tempo que o agente vital dá impulsão aos órgãos, a ação destes entretén e desenvolve a atividade daquele agente, quase como sucede com o atrito, que desenvolve calor.

4 de set. de 2009

Considerações e concordâncias Bíblicas concernentes à Criação

59 - Os povos hão formado idéias muito divergentes acerca da Criação, de acordo com as luzes que possuíam. Apoiada pela Ciência, a razão reconhecer a inverossimilhança de algumas dessas teorias. A que os Espíritos apresentam confirma a opnião de há muito partilhada pelos homens mais esclarecidos.
- A objeção que se lhe pode fazer é a de estar em contradição com o texto dos livros sagrados. Mas, um exame sério mostrará que essa contradição é mais aparente que real e que decorre da interpretação dada ao que muitas vezes só tinha sentido alegórico.
- A questão de ter sidoAdão, como primeiro homem, a origem exclusiva da Humanidade não é a punica a cujo respeito as crnças religiosas tiveram que se modificar. O movimento da Terra pareceu, em determinada época, tão em oposição às letras sagradas, que não houve gênero de perseguições a que essa teoria não tivesse servido de pretexto, e no entanto, a Terra gira, mau grado aos anátemas, não podendo ninguém hoje contestá-lo, sem agravo à sua própria razão.
- Diz também a Bíblia que o mundo foi criado em 6 dias e põe a época da sua criação há 4 mil anos, mais ou menos, antes da era cristã. Anteriormente a Terra não existia; foi tirada do nada: o texto é formal. Eis porém que a ciência positiva, a inexorável ciência, prova o contrário. A historia da formação do globo terráqueo está escrita em caracteres irrecusáveis no mundo fóssil, achando-se provado que os 6 dias da criação indicam outros tantos períodos, cada um de, talvez, muitas centenas de milhares de anos. (...) A conclusão a tirar-se é que os homens se equivocaram ao interpretar a Bíblia.
- À Gênese mostra em que ordem os seres vivos aparecem na superfície da Terra, assim como foi descoberto eventualmente pela Ciência. Mas com a diferença não tê-lo sido em alguns dias.(...)
- De acordo com Moisés, a Ciência coloca o homem em último lugar na ordem da criação dos seres vivos. Moisés indica como sendo o do dilúvio universal, o ano 4.654 da formação do mundo, ao passo que a geologia nos aponta como anterior ao homem. Contudo, nada prova que isso seja impossível. A questão está em saber se o cataclismo geológico é o mesmo a que assistiu Noé.
- A existência do homem antes do dilúvio geológico ainda é, com efeito, hipotético.
- Não daria tempo de Adão, como uma única família ter povoado toda a Terra em 2.350 anos! Lembrando que quando ao 8° século os hebreus migraram para o Egito encontraram tal país já bastante povoado, e adiantado enquanto civilização.
- A história aponta que também a Índia e outros países estavam florescentes à mesma época.
- Lembrando também da imensa diferença física e cultural que se apresentam os diversos povos.

Texto de Kardec, o qual eu tirei e mechi muita coisa pra tentar faze-lo menos cansativo. O que é uma terefa quase impossível.
Em sua defesa, não havia espiritismo em 1857 (lançamento do livro), e um físico, cientista se envolvendo em religião era um tanto controverso, e ele queria provar por quantas equações pudesse veracidade, e "cientologia" da coisa.
Enfim, o caso é que quando lemos a bíblia depois de evangelizar dentro do Espiritismo lemos a coisa com outros olhos, e, sempre lembrando que nos é dado conhecer as coisas dentro de um tempo específico, identificamos algumas alegorias, algumas metáforas que nos dão, como em estudo primário, a sucessão das coisas!
Costumo dizer que o conhecimento na espiritualidade é como séries. Temos classes de espíritos, e eu costumo fazer a relação com as séries.
As classes menos evoluídas não teriam como digerir certos tipos de informação. Tanto pela razão debilitada, tanto por pouco apoio científico pra ajudar.
Mas Karedc tinha o talento único de se estender e enfadonhar absolutamente qualquer coisa.

Pluralidade dos mundos

55 - São habitados todos os globos que se movem no espaço?
"Sim, e o homem terreno está longe de ser, como supõe, o primeiro em inteligência, em bondade e em perfeição. Entretanto há homens que se têm por espíritos muito fortes e que imaginam pertencer a este pequenino globo o privilégio de conter seres racionais. Orgulho e vaidade! Julgam que só para eles criou Deus o Universo." - Deus povoou de seres vivos os mundos, concorrendo todos esses seres para o objetivo final da Providência. Acreditar que só os haja no planeta que habitamos fora duvidas da sabedoria de Deus, que não fez coisa alguma inútil. Certo, a esses mundos há de ele ter dado uma destinação mais séria do que a de nos recrearem a vista. Aliás, nada há, nem na posição, nem no volume, nem na constituição física da Terra, que possa induzir à suposição de que ela goze do privilégio de ser habitada, com exclusão de tantos milhares de milhões de mundos semelhantes.

56 - É a mesma a constituição física dos diferentes globos?
"Não; de modo algum se assemelham"

57 - Não sendo uma só para todos a constituição física dos mundos, seguir-se-á tenham organizações diferentes os seres que os habitam?
"Sem dúvida, do mesmo modo que no vosso os peixes são feitos para viver na água e os pássaros no ar"

58 - Os mundos mais afastados do Sol estarão privados de luz e calor, por motivo de esse astro se lhes mostrar apenas com a aparência de uma estrela?
"Pensais então quie não há outras fontes de luz e calor além do sol e em nenhuma conta tendes eletricidade que, em certos mundos, desempenha um papel que desconheceis e bem mais importanto que o que lhe cabe desempenhar na Terra? Demais, não dissemos que todos os seres são feitos de igual matéria que vós outros e com órgão de conformação idêntica à dos vossos. - As condições de existência dos seres que habitam os diferentes mundos hão de ser adequadas ao meio em que lhes cumpre viver. Se jamais houvéssemos visto peixes, não compreenderíamos que pudesse haver seres que vivessem dentro d'água. Assim acontece com relação aos outros mundos, que sem dúvida contém elementos que desconhecemos. Não vemos na Terra as longas noites polares uluminadas oela eletricidade as auroras boreais? Que há de impossível em ser a eletricidade, nalguns mundos, mais abundante do que na Terra e desempenhar neles uma função de ordem geral, cujos efeitos não podemos compreender? Bem pode suceder, portanto, que esses mundos tragam em si mesmos as fontes de calor e de luz necessárias a seus habitantes. (se é que se fazem necessárias)

Diversidade das raças humanas

52 - Donde provém as diferenças físicas e morais que distinguem  as raças humanas na Terra?
"Do clima, da vida e dos costumes. Dá-se aí o que se dá com dois filhos de uma mesma mãe que, educados longe um do outro e de modos diferentes, em nad se assemelharão quanto ao moral"

53 - O homem surgiu em muitos pontos do globo?
"Sim, e em épocas variadas, o que também constitui uma das causas da diversidade das raças. Depois, dispersando-se os homens por climas diversos e aliando-se os de uma aos de outras raças, novos tipos se formaram."
a) Estas diferenças constituem espécies distintas?
"Certamente que não; todos são da mesma família. Porventura as múltiplas variedades de um mesmo fruto são motivo para que elas deixem de formar uma só espécie?"

54 - Pelo fato de não proceder de um só indivíduo a espécie humana, devem os homens deixas de considerar-se irmãos?
" Todos os homens são irmãos em Deus. São animados pelo mesmo espírito e tendem para o mesmo fim. Estais sempre inclinados a tomar as palavras na sua significação literal!"



Povoamento da Terra. Adão

50 - A espécie começou pr um único homem?
"Não; aquele que chamais Adão não foi o primeiro, nem o único a povoar a Terra"

51 - Poderemos saber em que época viveu Adão?
"Mais ou menos na que lhe assinais: cerca de 4 mil anos antes de Cristo." - O homem, cuja tradição se conservou sob o nome de Adão, foi dos que sobreviveram, em certa região, a alguns dos grandes cataclismos que revolveram em diversas épocas à superfície do globo, e se constituiu tronco de uma das raças que atualmente o povoam. As leis da Netureza se opõem a que os progressos da Humanidade, comprovados muito tempo antes do Cristo, se tenham realizado em alguns séculos, como houvera secedido se o homem não existisse na Terra senão a partir da época indicada para a existência de Adão. Muitos, com mais razão, consideram Adão um mito, ou uma alegoria que personifica as primeiras idades do mundo.