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9 de ago. de 2009

Panteísmo

14 - Deus é um ser distinto, ou será, como opinam alguns, a resultante de todas as forças e de todas as inteligências do Universo reunidas?
"Se fosse assim, Deus não existiria, porquanto seria efeito e não causa. Ele não pode ser ao mesmo tempo uma e outra coisa.
"Deus existe; disso não poderis duvidas e é o essencial. Crede-me, não vades além. Não vos percais num labirinto donde não lograreis sair. Isso não vos tornaria melhores, antes um pouco mais orgulhosos, pois que acreditaríeis saber, quando na realidade nada saberíeis. Deixai, conseguintemente, de lado todos esses sistemas; tendes bastantes coisas que vos tocam mais de perto, a começar por vós mesmos. Estudai as vossas próprias imperfeições, a fim de vos libertardes delas, o que será mais útil do que pretendertes penetrar no que é impenetrável."

15 - Que se deve pensar da opnião segundo a qual todos os corpos da Natureza, todos os seres, todos os globos do Universo seriam partes da Divindade e contituiriam, em conjunto, a própria Divindade, ou que se deve pensar da doutrina Panteísta?
"Não podendo fazer-se Deus, o homem quer ao menos ser uma parte Dele"

16 - Pretendem os que professam esta doutrina achar nela a demonstração de alguns dos atributos de Deus: Sendo infinitos os mundos, Deus é portanto infinito; Não havendo o vazio, ou o nada em parte alguma, Deus estaria por toda parte; estando Deus em toda parte, pois tudo é parte integrante Dele, Ele dá a todos os fenômenos da Natureza uma razão de ser inteligente. Que se pode opor a este raciocínio?
"A razão. Refleti mduramente e não vos será difícil reconhecer-lhe o absurdo" - Esta doutrina faz de Deus um ser material que, embora dotado de suprema inteligência, seria em ponto grande o que somos em ponto pequeno. Ora, transformando-se a matéria incessantemente, Deus nenhuma estabilidade teria; acharia-se sujeito a todas as vicissitudes, mesmo a todas as necessidades da Humanidade; faltaria-lhe um dos atributos essenciais da Divindade: a imutabilidade. Não se pode aliar as propriedades da matéria à idéia de Deus sem que Ele fique rebaixado ante nossa compreensão e não haverá sutilezas de sofismas que cheguem a resolver o problema da sua natureza íntima. Não sabemos tudo que Ele é, mas sabemos o que ele não pode deixar de ser e o sistema e que tratamos está em contradição com as suas mais essenciais propriedades. Ele confunde o Criador com a criatura, exatamente como o faria quem pretendesse que a máquina fosse parte do mecânico.

Atributos da divindade

10 - Pode o homem compreender a natureza íntima de Deus?
"Não, falta-lhe para isso o sentido"

11 - Será dado um dia ao homem compreender o mistério da Divindade?
"Quando não mais tiver o espírito obscurecido pela matéria. Quando pela perfeição, se houver aproximado de Deus, ele o verá e compreenderá" - A inferioridade das faculdades do homem não lhe permite compreender a natureza íntima de Deus. Na infância da Humanodade, o homem o confunde muitas vezes com a criatura, cujas imperfeições lhe atribui; mas à medida que nele se desenvolve o senso moral, seu pensamento penetra melhor no âmago das coisas; então faz idéia mais justa da Divindade e, ainda que sempre incompleta, mais conforme à sã razão.

12 - Embora não possamos compreender a natureza íntima de Deus, podemos formar idéia de algumas de suas perfeições?
"De algumas sim. O homem as compreende melhor à proporção que se eleva acima da matéria. Entrevê-as pelo pensamento"

13 - Quando dizemos que Deus é eterno, infinito, imutável, imaterial, único, onipotente, soberanamente justo e bom, temos idéia completa de seus atributos?
"Do vosso ponto de vista, sim porque credes abranger tudo. Saebei, porém, que há coisas que estão acima da inteligência do homem mais inteligente, as quais a vossa linguagem, restrita às vossas idéias e sensações, não tem meios de exprimir. A razão, com efeito, voz diz que Deus deve possuir em grau supremo essas perfeições, porquanto, se uma lhe faltasse, ou não fosse infinita, já Ele não seria superior a tudo, não seria por conseguinte Deus. Para estar acima de todas as coisas, Deus tem que se achar isento de qualquer vicissitude e de qualquer das imperfeições que a imaginação possa conceber" - Deus é eterno. Se tivesse tido princípio, teria saído do nada, ou, então, também teria sido criado, por um ser anterior. É assim que, de degrau em degrau, remontamos ao infinito. e à eternidade. É imutável. Se estivesse sujeito a mudanças, as leis que regem oUniverso nenhuma estabilidade teriam. É imaterial. Quer isto dizer que sua natureza difere de tudo o que chamamos matéria. De outro modo, ele não seria imutável, por que estria sujeito às transformações da matéria. É único. Se muitos Deuses houvesse, não haveria unidade de vistas, nem unidade de poder da ordenação do Universo. É onipotente. Ele o é, por que é único. Se não dispusesse do soberano poder, algo haveria de mais poderoso ou tão poderoso quanto Ele, que então não teria feito todas as coisas. As que não houvesse feito seriam obra de outro. É soberanamente justo e bom. A sabedoria providencial das leis divinas se revela, assim nas mais pequeninas coisas, como nas maiores, e essa sabedoria não permite se duvide nem da justiça nem da bondade de Deus.

Provas da existência de Deus

4 - Onde se pode encontrar a prova da existência de Deus?
"Num axioma que aplicais às vossas ciências. Não há efeito sem causa. Procurai a causa de tudo que não é obra do homem e vossa razão responderá" - Para crer-se em Deus basta que se lance o olhar sobre as obras da criação. O Universo existe, logo tem uma causa. Duvidar da existência de Deus é negar que todo efeito tem uma causa e avançar que o nada pôde fazer alguma coisa.

5 - Que dedução de pode tirar do sentimento instintivo que todos os homens trazem em si, da existência de Deus?
"A de que Deus existe; pois, donde lhes viria esse sentimento, se não tivesse uma base? É ainda uma consequência do princípio: não há efeito sem causa."

6 - O sentimento íntimo que temos da existência de Deus não poderia ser fruto da educação, resultado de idéias adquiridas?
"Se assim fosse, por que existiria nos vossos selvagens esse sentimento?" - Se o sentimento da existência de um ser supremo fosse tão-somente produto de um ensino, não seria universal e não existiria se não nos que houvessem podido receber esse ensinamento.

7 - Poderia-se achar nas propriedades íntimas da matéria a causa primária da formação das coisas?
"Mas, então, qual seria a causa dessas propriedades? É indispensável sempre uma causa primária." - Atribuir a formação primária das coisas às propriedades íntimas da matéria seria tomar o efeito pela causa, porquanto essas propriedades são, também elas, um efeito.

8 - Que deve pensar da opnião dos que atribuem a formação primária a uma combinação fortuita da matéria, ou, por outra, ao acaso?
"Outro absurdo! Que homem de bom-senso pode considerar o acaso um ser inteligente? E, demais, que é o acaso? Nada" - A harmonia existente no mecanismo do Universo patenteia combinações e desígnios determinados e, por isso mesmo, revela um poder inteligente. Atribuir a formação primária ao acaso é insensatez, pos que o acaso é cego e não pode produzir os efeitos que a inteligência produz. Um acaso inteligente já não seria acaso.

9 - Em que é que, na causa primária, se reevla uma inteligência suprema e superior a todas as inteligências?
"Tendes um provérbio que diz: 'Pela obra se reconhece o autor'. Pois bem! Vede a obra e procurai o autor. O orgulho é que gera a incredulidade. O homem orgulhoso nada admite acima de si. Por isso é que ele se denomina a si mesmo de espírito forte. Pobre ser, que um sopro de Deus pode abater!" - Do poder de uma inteligência se julga pelas suas obras. Não podendo nenhum ser humano criar o que a Natureza produz, a causa primária é, conseguintemente, uma inteligência superior à Humanidade. Quaisquer que sejam os prodígios da Humanidade, ela mesma tem uma causa e, quanto maior for o que opere, tanto maior há de ser a inteligência primária, seja qual for o nome que lhe dêem.

Deus e O infinito

1 - Que é Deus?
"Deus é a inteligência suprema, causa primária de todas as coisas"

2 - Que se deve entender por infinito?
"O que não tem começo nem fim: o desconhecido; tudo que é desconhecido é infinito."

3 - Poderia-se dizer que Deus é o infinito?
"Definição incompleta. Pobreza da linguagem humana, insuficiente para definir o que está acima da linguagem dos homens" - Deus é infinito em suas perfeições, mas o infinito é uma abstração. Dizer que Deus é o infinito é tomar o atributo pela coisa toda; é definir uma coisa que não está conhecida por uma outra que não o está mais que a primeira.